Bem amigos do poker, boa tarde...
Com autorização de Juliano Maesano, (editor-chefe da revista FLOP e grande jogador), reproduzirei dividido em três partes, artigo escrito por ele, na Coluna ADTP, edição de número 16 (dez/09) daquela revista, sob o título: A postura correta nas mesas. Esta é a terceira parte.
“Finalizando, vou entrar no mérito da questão de algo que debatemos
muito na ADTP, principalmente eu e meu amigo D.C., que temos posturas um pouco diferentes
O assunto é o “direito ao muck, ou seja, o direito que todo jogador deveria ter de foldar suas cartas e não mostrá-las, caso não seja necessário e ele já tenha perdido do adversário.
Vale lembrar que, se o jogador é o primeiro a “falar”, ou seja, o primeiro a ter que mostrar as cartas depois de pago por alguém à mesa, ele sempre deve mostrar suas cartas.
É muito raro eu muckar minhas cartas em um blefe puro, se sou o primeiro a ter que mostrar. Eu engulo meu orgulho e meu blefe malsucedido e mostro as cartas, pois quem pagou merece ver.
Agora, se eu sou o segundo ou o último a mostrar, e já perdi de quem mostrou antes, eu deveria ter o direito de muckar, e é assim que as coisas ocorriam antigamente.
Com o advento da internet e do artifício de os softwares habilitarem a visualização das mãos passadas, os jogadores começaram a acreditar erroneamente que isso seria o correto, mas não é e nunca foi.
Se a regra hoje permite que alguém da mesa peça para ver cartas muckadas, os jogadores deveriam ter respeito e não fazer esse pedido
Eu já tive que agir, como diretor em um torneio televisionado, e pedir para ver
cartas muckadas de um jogador na mesa final, por suspeita de collusion. Mas isso é um fato raro, e acredito que apenas o diretor deva ver as cartas, a princípio.
Ocorre que os jogadores perderam a noção e andam pedindo para ver cartas foldadas e muckadas, apenas para irritar um adversário ou para obter uma informação que não se deveria permitir que fosse dada.
É como no futebol, quando um jogador se machuca seriamente e um time joga a bola para fora. Nenhuma regra o obriga a jogar a bola fora e ele usa o conceito de fair play nesse momento.
O mesmo ocorre quando o jogo se reinicia, e agora o time adversário é quem devolve a bola. Isso não é uma obrigação e não consta nas regras, mas é de bom tom que ambos os times ajam dessa maneira. Infelizmente, às vezes algum time não segue esse padrão ou recomendação, e já vimos muita vaia da torcida e brigas em campo começarem por essa falta de respeito.
Acredito que, no caso de pedir para ver cartas muckadas, a coisa é parecida. Não deveria ser uma regra, e sim uma recomendação ou um padrão – no meu entender, a favor de que o jogador tenha o seu direito de muckar as cartas preservado.
Espero que a regra mundial evolua, pois ela está em constante mutação, e que esse defeito do poker moderno seja sanado em revisões futuras das cartilhas de regra internacional.
Aqui no Brasil, após extenso debate, concordei com o D.C. e seguimos a linha mundial, mas estamos policiando os jogadores nos eventos, tentando instruí-los sobre qual o modo mais cortês de agir nessas situações.
Os jogadores devem se lembrar de que, caso pretendam jogar poker por algum tempo, voltarão a encontrar as mesmas pessoas nas mesas, em eventos futuros.
É sempre bom guardar uma boa imagem de um adversário educado, e é bem melhor do que ser lembrado por ser o “chato” ou o “mal-educado” à mesa.”

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